quinta-feira, 19 de abril de 2018

Lúpus: sintomas, tratamentos e causas

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O que é Lúpus?

O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido popularmente apenas como lúpus, é uma doença autoimune que pode afetar principalmente pele, articulações, rins, cérebro mas também todos os demais órgãos.
Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo por engano. Dentre mais de 80 doenças autoimunes conhecidas, o lúpus é uma das mais importantes.

O que é uma doença autoimune?

Uma doença autoimune é uma condição que ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano.
As causas das doenças autoimunes ainda não são desconhecidas. A teoria mais aceita é que fatores externos estejam envolvidos na ocorrência dessa condição, principalmente quando há predisposição genética e o uso de alguns medicamentos.
A maioria das doenças autoimunes são crônicas, mas muitas podem ser controladas com tratamento. Os sintomas das doenças autoimunes podem aparecer e desaparecer continuamente.

Lúpus no Brasil

No Brasil, não dispomos de números exatos, mas as estimativas indicam que existam cerca de 65.000 pessoas com lúpus, sendo a maioria mulheres. Acredita-se assim que uma a cada 1.700 mulheres no Brasil tenha a doença. (3)

Tipos

O lúpus pode ser dividido em quatro tipos:

Lúpus discoide

A inflamação é sempre limitada à pele. Este tipo pode ser identificado a partir do surgimento de lesões cutâneas avermelhadas que costumam aparecer no rosto, na nuca ou também no couro cabeludo.

Lúpus sistêmico

O lúpus sistêmico é a forma mais comum, podendo ser grave ou leve. A inflamação ocorre no organismo, comprometendo vários órgãos ou sistemas do corpo não sendo restrito a pele. Algumas pessoas com lúpus discoide podem evoluir para a forma sistêmica. Os sintomas causados por este tipo da doença dependem do local da inflamação como rins, coração, pulmões e até ao sangue, além das lesões cutâneas e às articulações.

Lúpus induzido por drogas

Algumas drogas ou medicamentos podem provocar uma inflamação temporária enquanto do seu uso e provocar sintomas que são muito parecidos com os do lúpus sistêmico. As manifestações desaparecem com o parar do uso.

Lúpus neonatal

O lúpus neonatal é uma condição rara que afeta filhos de mulheres com lúpus, sendo causada por anticorpos da mãe que atuam sobre a criança no útero. Ao nascer, a criança pode ter uma erupção cutânea, problemas no fígado ou baixa contagem de células sanguíneas, mas esses sintomas desaparecem completamente após vários meses sem efeitos duradouros.
Alguns bebês com lúpus neonatal também podem ter um defeito cardíaco grave. Com testes adequados, os médicos agora podem identificar a maioria das mães em risco, e a criança pode ser tratada antes ou depois do nascimento. (4)

Causas

O lúpus ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói alguns tecidos saudáveis do corpo. Não se sabe exatamente o causa esse comportamento anormal, mas pesquisas indicam que a doença seja resultado de uma combinação de fatores, como genética e meio ambiente.
Esses mesmos estudos mostram que pessoas com pré-disposição ao lúpus podem desenvolver a doença ao entrar em contato com algum elemento do meio ambiente capaz de estimular o sistema imunológico a agir de forma errada. O que a ciência ainda não sabe é quais são todos esses componentes. Os pesquisadores, no entanto, têm alguns palpites:
  • Luz solar: a exposição à luz do sol pode iniciar ou agravar uma inflamação preexistente a desenvolver lúpus
  • Infecções: Ter uma infecção pode iniciar lúpus ou causar uma recaída em algumas pessoas
  • Medicamentos: lúpus também pode estar relacionado ao uso de determinados antibióticos, medicamentos usados para controlar convulsões e também para pressão alta. Pessoas com sintomas parecidos com os do lúpus geralmente param de apresentar quando interrompem o uso.

Fatores de risco

O lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são muito mais acometidas. Veja o que pode facilitar a incidência de lúpus:

Sintomas de Lúpus

Os sintomas do lúpus podem surgir de repente ou se desenvolver lentamente. Eles também podem ser moderados ou graves, temporários ou permanentes. A maioria dos pacientes com lúpus apresenta sintomas moderados, que surgem esporadicamente, em crises, nas quais os sintomas se agravam por um tempo e depois desaparecem.
Os sintomas podem também variar de acordo com as partes do seu corpo que forem afetadas pelo lúpus. Os sinais mais comuns são:
Outros sintomas de lúpus dependem de qual é a parte do corpo afetada:
Alguns pacientes têm apenas sintomas de pele. Esse tipo é chamado de lúpus discoide.
  • Sexo biológico: a doença é mais comum em mulheres do que em homens
  • Idade: a maior parte dos diagnósticos acontece entre os 15 e os 40 anos, apesar de poder surgir em todas as idades
  • Etnia: lúpus é mais comum em pessoas afro-americanas, hispânicas e asiáticas.
  • Na consulta médica

    Especialistas que podem diagnosticar o lúpus são:
    • Clínico geral
    • Reumatologista.
    Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:
    • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
    • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
    • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.
    O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
    • Exposição ao sol costuma provocar o surgimento de lesões na pele?
    • Você sente dor nos dedos quando está frio?
    • Entre os seus sintomas estão problemas de memória e concentração?
    • Os sintomas têm prejudicado seu desempenho no trabalho ou têm atrapalhado suas relações sociais?
    • Você já foi diagnosticado com algum outro problema de saúde?
    Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para gordura no fígado, algumas perguntas básicas incluem:
    • Quais exames serão necessários para fazer o diagnóstico?
    • Lúpus tem cura?
    • A doença vai alterar muito meu estilo de vida, meu cotidiano e meus hábitos?
    • Quais são os efeitos colaterais do tratamento?
    Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

    Diagnóstico de Lúpus

    É difícil realizar o diagnóstico para lúpus, pois os sintomas variam muito de pessoa para pessoa, mudam com o passar de tempo, sobrepõem-se uns aos outros e confundem-se com os sintomas de outras doenças.
    Não existe nenhum teste específico para diagnosticar o lúpus. A combinação de testes de sangue e urina, sintomas encontrados no exame físico conduzem ao diagnóstico.

    Exames

    Os exames usados para diagnosticar o lúpus incluem:
    • Exame físico
    • Exames de anticorpos, incluindo teste de anticorpos antinucleares
    • Hemograma completo
    • Radiografia do tórax
    • Biópsia renal
    • Exame de urina.
    • Tratamento de Lúpus

      Existe tratamento mas não há cura definitiva para o lúpus, assim como outas doenças como diabetes e pressão alta. O principal objetivo do tratamento é controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas com a doença.
      A doença branda pode ser tratada com:
      • Anti-inflamatórios não esteroides para artrite e pleurisia
      • Protetor solar para as lesões de pele
      • Corticoide tópico para pequenas lesões cutâneas
      • Uma droga antimalárica (hidroxicloroquina) e corticoides de baixa dosagem para os sintomas de pele e artrite.
      Sintomas graves ou que acarretem risco de morte (como a anemia hemolítica, amplo envolvimento cardíaco ou pulmonar, doença renal ou envolvimento do sistema nervoso central) frequentemente necessitam de um tratamento mais agressivo com especialistas.
      O tratamento para lúpus mais grave inclui:
      • Alta dosagem de corticoides ou medicamentos para diminuir a resposta do sistema imunológico do corpo (imunossupressores)
      • Drogas citotóxicas (drogas que bloqueiam o crescimento celular) quando não houver melhora com corticoides ou quando os sintomas piorarem depois de interromper o uso. Esses medicamentos têm efeitos colaterais graves, por isso o médico deverá monitorar o uso com muita frequência.

      Lúpus tem cura?

      A medicina ainda não desenvolveu um método para curar o lúpus. Contudo, o prognóstico do lúpus é melhor hoje do que nunca. Com acompanhamento e tratamento próximos, 80-90% das pessoas com lúpus podem viver uma vida normal.

      Complicações possíveis

      Se não tratado corretamente, o lúpus pode causar complicações graves a diversos órgãos importantes do nosso corpo. Veja:

      Rins

      A falência dos rins está entre as principais causas de morte por complicações de lúpus. Irritação, coceira generalizada, dores no peito, náuseas, vômito e edemas estão entre os sintomas de que o lúpus chegou aos rins.

      Cérebro

      Você pode apresentar alguns sintomas específicos se o cérebro tiver sido afetado, como dor de cabeça, confusão, tontura, mudanças de comportamento, alucinações, derrames cerebrais (AVC) e convulsões.

      Vasos sanguíneos

      Anemia, aumento no risco de sangramentos e inflamação dos vasos (vasculite) estão entre as principais complicações possíveis decorrentes de lúpus.

      Pulmões

      Lúpus também pode levar à pleurisia, que pode causar dor durante a respiração.

      Coração

      Pode ocorrer também a inflamação dos músculos do coração e artérias e pericardite. As chances de ter um ataque cardíaco e outras doenças cardiovasculares também aumentam significativamente.
      Ter lúpus também pode acarretar em outros problemas, como:
      • Infecção: as chances de uma pessoa com lúpus desenvolver algum tipo de infecção aumentam muito, pois tanto a doença quanto o tratamento comprometem o sistema imunológico. As infecções mais comuns são no trato urinário e respiratório, por fungos, salmonela e herpes.
      • Câncer: o surgimento de tumores e de agravamento ao câncer também é uma das possíveis complicações do lúpus.
      • Necrose avascular: ocorre a morte das células que revestem os ossos, causando pequenas fraturas e o rompimento de muitas articulações, em especial as do quadril.
      • Complicações na gravidez: as mulheres que sofrem de lúpus e engravidam geralmente são capazes de manter a gravidez e dar à luz um bebê saudável, desde que não sofram de doença renal ou cardíaca grave e que o lúpus esteja sendo tratado adequadamente. Entretanto, a presença de anticorpos de lúpus pode aumentar o risco de perda na gravidez.

      Convivendo/ Prognóstico

      Se você tem lúpus, é importante ter cuidados com a saúde, especialmente com a saúde do coração, a fim de prevenir problemas cardíacos mais graves no futuro. Além disso, é igualmente importante fazer uma análise frequente da imunização e testes para verificar também a saúde dos ossos (presença ou não de osteoporose) e outras doenças.
      A psicoterapia e os grupos de apoio podem ajudar a aliviar a depressão e as alterações no humor que venham a ocorrer em pacientes com a doença.
      Siga algumas dicas também que podem melhorar sua qualidade de vida e ajudar no tratamento:
      • Descanse bastante. Pessoas com lúpus frequentemente sentem-se cansadas, mas não é um cansaço normal. É fadiga, um sintoma da doença que precisa ser tratado. O melhor remédio, neste caso, é o descanso
      • Tome cuidado com o sol. Você deve utilizar roupa protetora, óculos escuros e protetor solar quando estiver exposto ao sol
      • Exercite-se. Exercícios físicos regulares podem ajudar na recuperação de uma crise causada pelo lúpus, a reduzir o risco de ataque cardíaco, tratar sintomas de depressão e no bem-estar geral do corpo
      • Não fume. O consumo do cigarro aumenta os riscos de doenças cardiovasculares e pode também piorar os efeitos do lúpus
      • Mantenha uma dieta saudável. Coma muitos grãos, frutas e vegetais. E, se tiver alguma restrição por causa do tratamento ou por causa da doença em si, não saia da dieta.
      A recuperação do indivíduo depende da gravidade da doença. O resultado para pessoas com lúpus melhorou nos últimos anos.

      Apoio

      Se você tem lúpus, é provável que tenha uma série de sentimentos dolorosos sobre sua condição, do medo à extrema frustração. Os desafios de viver com lúpus aumentam o risco de depressão e problemas de saúde mental relacionados, como ansiedade, estresse e baixa auto-estima. Para ajudá-lo a lidar com lúpus, tente seguir os seguintes passos:
      - Saiba tudo o que puder sobre lúpus: Anote todas as dúvidas que você tiver sobre o lúpus para que você possa perguntar ao médico na próxima consulta. Quanto mais você sabe sobre o lúpus, mais confiante você sentirá em suas escolhas de tratamento.
      - Converse com seus amigos e familiares: Fale sobre lúpus com seus amigos e familiares e explique maneiras de ajudar quando você está tendo crises. O lúpus pode ser frustrante para seus familiares porque geralmente não conseguem vê-lo, e você pode não parecer doente.
      - Tome tempo para você: Lide com o estresse em sua vida tomando tempo para você. Use esse tempo para ler, meditar, ouvir música ou escrever em um diário. Encontre atividades que acalmam e renovem você.
      - Conecte-se com pessoas que têm lúpus: Você pode se conectar com outras pessoas que têm lúpus através de grupos de suporte em sua comunidade ou através de fóruns de mensagens online. Outras pessoas com lúpus podem oferecer um apoio único porque enfrentam muitos dos mesmos obstáculos e frustrações que você enfrenta.
    • Prevenção

      Não há formas conhecidas para se prevenir lúpus.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Sinais e Sintomas do Mieloma Múltiplo

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Embora alguns pacientes com mieloma múltiplo não apresentem sintomas, os mais comuns são:

  • Problemas Ósseos

Normalmente, os dois tipos principais de células ósseas trabalham juntos para manter os ossos fortes e saudáveis. As células que formam um novo osso são denominadas osteoblastos. As células que destroem o osso velho são chamadas osteoclastos. As células do mieloma produzem uma substância que ordena aos osteoclastos a aumentar a velocidade de dissolução do osso. Os osteoblastos não recebem um sinal para renovar o osso, assim o osso velho é destruído sem um osso novo para substituí-lo. Isto pode causar áreas de enfraquecimento dolorosas nos ossos. Qualquer osso pode ser afetado, mas a dor nos ossos da coluna, quadris e crânio é particularmente comum a esta doença. Essas alterações aumentam a chance dos ossos de sofrerem fraturas. Às vezes os ossos quebram devido a um pequeno trauma ou esforço.

  • Baixa Contagem Sanguínea

Quando as células do mieloma substituem as células normais produtoras do sangue da medula óssea resulta numa carência de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Uma quantidade reduzida de glóbulos vermelhos (anemia) causa fraqueza, falta de ar e tonturas. Uma quantidade menor de glóbulos brancos (leucopenia) diminui a resistência às infecções. A diminuição das plaquetas no sangue (trombocitopenia) pode causar sangramentos importantes.

  • Nível de Cálcio no Sangue Aumentado

Quando as células do mieloma dissolvem o osso, cálcio é liberado, podendo aumentar o nível de cálcio no sangue (hipercalcemia). Isso pode causar desidratação e inclusive insuficiência renal. O aumento do cálcio também pode causar constipação, perda de apetite, fraqueza, sonolência e confusão. Se o nível de cálcio é muito alto, pode levar ao coma.

  • Sintomas do Sistema Nervoso

Se o mieloma enfraquecer os ossos da coluna vertebral, eles podem fraturar e pressionar os nervos espinhais. Isso pode causar dor súbita intensa, dormência ou fraqueza muscular. Esta condição é considerada uma emergência médica e um médico deve ser imediatamente contatado.

Ocasionalmente, as proteínas anormais produzidas pelas células do mieloma podem ser tóxicas para os nervos, levando à fraqueza e dormência.

Em alguns pacientes, grandes quantidades de proteínas podem tornar o sangue espesso. Este espessamento é denominado hiperviscosidade e pode diminuir o fluxo de sangue para o cérebro, causando sintomas como confusão, tonturas e derrame. Pacientes com estes sintomas devem entrar em contato imediatamente com seu médico. O problema pode ser resolvido rapidamente ao retirar a proteína do sangue através de um processo chamado plasmaferese.

  • Problemas Renais

A proteína do mieloma pode danificar os rins. Inicialmente, isso não causa nenhum sintoma, mas pode ser detectado com um exame de sangue. À medida que os rins começam a falhar, eles perdem a capacidade de eliminar o excesso de sal, líquidos e detritos do organismo, podendo levar a sintomas como fraqueza e edema (inchaço) nas pernas.

  • Infecções

Os pacientes com mieloma são cerca de 15 vezes mais propensos a contrair infecções. Isso acontece porque o corpo é incapaz de produzir anticorpos para ajudarem no combate as mesmas. A pneumonia é uma infecção comum e grave em pacientes com mieloma.

Sinais e Sintomas da Amiloidose de Cadeia Leve 

Os pacientes com amiloidose podem ter alguns dos sintomas dos pacientes com mieloma, como problemas renais e neuropatia. Mas, eles também podem apresentar:

  • Problemas cardíacos.
  • Aumento do fígado e do baço.
  • Aumento do tamanho da língua.
  • Alterações na pele.
  • Diarreia.
  • Síndrome do túnel do carpo.

sexta-feira, 13 de abril de 2018


O que é Leucemia, tipos, sintomas, tratamento, tem cura?

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A leucemia é um câncer maligno que começa na medula óssea, onde as células sanguíneas são produzidas. Os leucócitos (glóbulos brancos) são as células acometidas, o que faz com que  se reproduzam descontroladamente, gerando sintomas e sinais da doença.
A leucemia se divide em duas categorias: mielóide e linfóide. A primeira citada é derivada da célula-tronco mielóide e pode ser o granulócito, basófilo, monócito, eosinófilo ou eritrócito. Já no caso da linfóide, o linfócito é a célula doente.

Existe, ainda, uma classificação de acordo com a velocidade de divisão dessas células. Quando a divisão é rápida, é conhecida como leucemia aguda; já quando a divisão é lenta, é conhecida como leucemia crônica. A leucemia crônica se desenvolve lentamente e as células envolvidas são parecidas com a célula normal, permitindo que os pacientes, mesmo doentes, consigam manter algumas funções normais no organismo. A leucemia aguda, por sua vez, possui a progressão rápida e afeta as células jovens que ainda não foram completamente formadas (blastos), comprometendo suas funções e a capacidade de defesa do organismo.

Tipos e subtipos de leucemia

São existentes 4 tipos de classificação para a leucemia, além de 4 subtipos:

Leucemia mielóide aguda (LMA)

Esse tipo de leucemia pode ocorrer em qualquer pessoa, mas as que mais sofrem são as que possuem mais de 65 anos. Ainda não foi descoberto o motivo do surgimento dessa doença.
A principal característica é a produção de blastos que células imaturas, glóbulos brancos que são responsáveis por combater infecções. Essas células são produzidas de forma involuntária e a sua função de combater as infecções, vírus e bactérias se tornam nulas.
Quando há uma grande quantidade de blastos na medula óssea, as formações dos outros componentes do sangue são bloqueadas (plaquetas e glóbulos vermelhos). Pela característica da leucemia aguda possuir rápido desenvolvimento, é importante que o tratamento seja feito no início.

Leucemia mieloide crônica (LMC)

A leucemia mieloide crônica é um tipo de câncer não hereditário que ocorre na medula óssea e, principalmente, em pacientes com a média de idade de 50 anos. O motivo da doença acontecer ainda não é conhecido, mas é sabido que a doença é adquirida ao longo da vida.
Esse tipo de leucemia se difere dos outros por conta de uma anormalidade genética que ocorre nos glóbulos brancos, conhecida como cromossomo Ph+. Os humanos possuem 22 pares de cromossomos somados aos 2 cromossomos sexuais, totalizando 46 cromossomos, e, quando a doença surge, ocorre uma translocação em dois cromossomos (fusão de uma parte de um cromossomo em outro). Os pares de cromossomos em que isso ocorre são 9 e 22, caracterizando a doença.
Acredita-se que 7 a cada 10 pacientes conseguem se livrar da doença completamente.

Leucemia linfoide aguda (LLA)

Esse tipo de câncer é o mais comum entre as crianças. A doença não é hereditária, mas também ainda não é conhecida a sua causa. Sabe-se que 9 entre 10 crianças conseguem a cura da leucemia linfoide aguda.
A doença ocorre quando as células-tronco responsáveis pela origem dos componentes do sangue sofrem alterações. Esses componentes do sangue são os responsáveis por combater infecções, impedir hemorragias e também fazer a oxigenação do organismo.
As células param de funcionar e se reproduzem de forma muito rápida, pelo fato da doença ser aguda. Esse tipo de leucemia afeta as células que ainda estão sendo formadas, comprometendo as células sanguíneas. A evolução da doença é rápida, por isso é muito importante que o diagnóstico seja dado rapidamente.
Apesar de a doença ser encontrada na maioria das vezes em crianças, os adultos também podem sofrer com esse tipo de leucemia. Nesses casos, metade dos pacientes conseguem se curar do problema.

Leucemia linfoide crônica (LLC)

Esse tipo de leucemia costuma afetar pessoas com mais de 50 anos e não há registro de crianças com leucemia linfoide crônica. A doença não é hereditária, mas sim adquirida durante a vida.
Esse é um tipo de leucemia diferente, já que alguns casos não necessitam de tratamento. O problema surge quando os glóbulos brancos se desenvolvem de forma desenfreada e suas funções se perdem. Além disso, a doença é caracterizada como crônica por conta de uma alteração que provoca o crescimento de linfócitos B maduros mas a produção de células normais pode não ser afetada. Ao mesmo tempo em que ocorre uma produção de células com problemas, o processo de fabricação e a maturidade de células “boas” também cresce.

Subtipos

Leucemia linfocítica granular T ou NK:

Afeta linfócitos T ou NK (Natural Killer). É rara, pouco agressiva e indolor.

Leucemia agressiva células NK:

É um linfoma dos linfócitos NK (raro), que pode ser induzido pelo vírus Esptein-Barr. Mais comum em adolescentes e adultos jovens, causa um declínio muito rápido, exigindo rápido início da quimioterapia.

Leucemia de células T do adulto:

É causada pelo vírus linfotrópico da célula T humana (HTLV), um retrovírus semelhante ao HIV, que também afeta os linfócitos T CD4+, mas imortaliza a célula para que produza mais HTLV.

Leucemia de células pilosas:

Um subtipo de leucemia linfocítica crônica, com linfócitos que parecem ter pelos quando observados ao microscópio. Cerca de 80% das pessoas afetadas são adultos do sexo masculino, e não foram notificados casos em crianças.

Causas

Todos os tipos de leucemia citados acima ocorrem por conta de uma alteração genética que não é hereditária e sim adquirida durante a vida. As células sofrem uma alteração genética fazendo com que ocorra uma divisão celular que desativam os genes supressores do tumor. Acontece também a multiplicação desenfreada de uma mesma célula levando ao surgimento do câncer.

Fatores de risco

A causa exata das leucemias ainda é desconhecida, mas sabe-se que existem alguns fatores que facilitam o surgimento do câncer. Eles são:
  • Algumas doenças do sangue, como mielodisplasia e neoplasias mieloproliferativas;
  • Algumas doenças genéticas, como anemia de fanconi, neurofibromatose, síndrome de Down e outras;
  • Exposição a produtos químicos, derivados de benzeno, que podem estar presentes em indústrias petroquímicas e fábricas de produtos químicos;
  • Tratamento prévio com radioterapia ou quimioterapia;
  • Exposição a radiação ionizante, como observado em pessoas que sobreviveram de vazamento nuclear e bomba atômica.
É preciso deixar claro que, por mais que haja algum fator de risco, não é certo que o paciente terá a doença.

Quais os sintomas da leucemia?

Hemorragias, infecções e anemias são sintomas comuns da leucemia, por conta do prejuízo causado pela produção de plaquetas, glóbulos brancos e glóbulos vermelhos, respectivamente.
A proliferação das células faz com que a medula óssea seja ocupada, não deixando que as células normais se reproduzam, o que pode causar sintomas diferentes:

Síndrome anêmica

Podem aparecer pela diminuição da produção dos eritrócitos pela medula óssea.
  • Tontura;
  • Desmaios;
  • Cansaço;
  • Sonolência;
  • Pouca fome;
  • Emagrecimento;
  • Alopecia;
  • Palidez;
  • Dor de cabeça;
  • Irritabilidade e fraqueza;
  • Palpitação.

Síndrome trombocitopênica

Podem surgir pela diminuição de plaquetas, células muito importantes para a coagulação do sangue, porque evitam o sangramento.
  • Epistaxe;
  • Sangramento gengival;
  • Hematomas que podem aparecer após pequeno trauma ou que aparecem sem trauma algum;
  • Menstruação excessiva;
  • Petéquias dentro da boca;
  • Sangue nas fezes.

Síndrome leucopênica

Sintomas podem aparecer pela diminuição de leucócitos normais, principalmente os neutrófilos, que atuam na defesa do organismo contra infecções.
  • Febre;
  • Língua dolorida;
  • Infecções frequentes;
  • Aftas;
  • Suor excessivo durante a noite;
  • Gânglios linfáticos saltados.
Além desses sintomas, dor nos ossos, aumento do baço, dor nas articulações, problemas nos órgãos e dor no esterno também podem surgir.

A leucemia tem cura?

Sim, a doença possui cura. A maioria dos casos de cura envolve o transplante de medula óssea, mas ela pode ocorrer também através da quimioterapia e da radioterapia.

Diagnóstico

Os médicos especializados para dar o diagnóstico da leucemia são oncologistas ou, então, hematologistas.
Não existe forma de detectar a leucemia precocemente, portanto ficar atento aos sintomas e sinais é a melhor forma de descobrir a doença. Se houver na família crianças com doenças genéticas sinalizadas nos fatores de risco esse cuidado deve ser ainda mais intenso, pois os riscos são maiores. O mesmo é válido para pessoas que trabalham em indústrias químicas ou que já passaram por tratamento de quimioterapia e/ou radioterapia.
Alguns exames podem ser feitos para que o diagnóstico da doença seja efetivado:

Hemograma e esfregaço de sangue

Esse tipo de exame é feito com uma amostra de sangue e, se houver alterações na contagem dos diferentes tipos de células e na aparência, o médico pode suspeitar de leucemia. Apesar do exame de sangue indicar, somente uma amostra das células da medula pode confirmar o diagnóstico da leucemia.

Biópsia e mielograma

Esse exame é feito através da aspiração de uma parte da medula óssea. Após a anestesia, uma agulha fina é introduzida no interior do osso e uma porção da medula é aspirada. Logo depois é feita a biópsia, retirando pequenas amostras cilíndricas do osso e da medula. Esses dois exames são feitos ao mesmo tempo, na maioria das vezes, geralmente é necessário fazer mais de uma vez esse procedimento a primeira para dar o diagnóstico e a segunda para ver a reação da doença após o tratamento.

Exame de sangue

Os exames de sangue são pedidos pelos médicos para que eles possam verificar a funcionalidade do fígado e dos rins e descobrir se esses órgãos foram afetados durante o tratamento. Além disso, o exame é recomendado para descobrir infecções por conta da fragilidade do sistema imunológico.

Punção lombar

Uma agulha é inserida no interior da coluna vertebral, após a anestesia, e uma amostra do líquido cefalorraquidiano é retirado para descobrir se há células de leucemia presentes.

Biópsias excisional de gânglio linfático

Para a realização deste exame, um gânglio pode ser removido. Além disso,  a biópsia excisional pode ser feita com anestesia local, se o gânglio estiver próximo à pele, ou, então, com anestesia geral  caso não esteja.
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Raios-x

Ao realizar o exame de raio-x, o aumento do timo ou dos gânglios linfáticos do tórax pode ser detectado mais facilmente.

Tomografia computadorizada

Esse tipo de exame é realizado para produzir uma imagem detalhada de uma parte do organismo. Imagens de raio-x são produzidas enquanto a máquina gira em torno do paciente. Um contraste pode ser injetado no paciente para que as estruturas do corpo sejam definidas mais facilmente. Para realizar esse exame, o paciente deve ficar imóvel sobre uma mesa por cerca de meia hora. O exame ajuda também a descobrir se o fígado e os rins foram afetados pela leucemia.

Ultra-som

O ultra-som utiliza ondas sonoras para produzir uma imagem dos órgãos internos. Com o instrumento utilizado para realizar o exame, o eco (uma reflexão de som que chega ao ouvinte pouco tempo depois do som direto) é captado e convertido pelo computador em imagem.

Ressonância magnética

A ressonância é feita para verificar se a doença atingiu o sistema nervoso e costuma demorar até uma hora. A ressonância usa ondas de rádio e as que são analisadas são absorvidas e depois liberadas em um padrão dado pelo tipo de tecido do corpo.

Cintilografia óssea

Uma pequena quantidade de um composto radioativo é injetada no paciente e essa substância se acumula em áreas dos ossos atingidas por metástases ou infecções.

Citometria de fluxo

Esse tipo de técnica é usado para analisar células da medula óssea, sangue e nódulos linfáticos, a fim de determinar o tipo de leucemia. As células são tratadas com anticorpos especiais e recebem um feixe de laser. Esses anticorpos se ligam somente a substâncias presentes em alguns tipos de células leucêmicas. Caso a amostra tenha essas células, os anticorpos se ligam a elas e o laser faz com que luzes se emitam, possibilitando com que sejam analisadas pelo computador.
A citometria é usada também para avaliar a quantidade de DNA nas células leucêmicas.

Exame citoquímico

As células da amostra são espalhadas em uma lâmina e expostas a corantes que reagem somente com alguns tipos de células leucêmicas. Dessa forma, esse exame é muito útil para diferenciar os tipos de leucemia.

Exame citogênico ou cariótipo

O estudo detecta alterações que ocorrem nos cromossomos (células normais contém 46 cromossomos). Em alguns tipos de leucemia, um cromossomo aparece ligado a outro, o que é chamado de translocação e que pode ser visto no microscópio. A identificação dessas translocações permite diagnosticar a leucemia mieloide aguda e a leucemia linfoide aguda.

Exame imunocitoquímico

Esse procedimento envolve o tratamento das células obtidas na biópsia com anticorpos especiais. Mas, em vez de usar laser e computador na análise, a amostra é feita com a mudança da coloração das células, o que permite descobrir as diferentes formas de leucemia.

Estudos moleculares

A detecção de alterações cromossômicas e moleculares são feitas com métodos de polimerase em cadeia ou hibridização. Além de diagnosticar, o prognóstico pode ser realizado de acordo com a anomalia encontrada no exame.

Tratamento para leucemia

Assim como a leucemia é separada em 4 tipos, a forma de tratamento também costuma variar de acordo com a causa da doença e suas variações. Geralmente, o tratamento da leucemia linfoide crônica não precisa ser feito imediatamente após o diagnóstico, diferente da leucemia aguda, que precisa de tratamento imediato com a quimioterapia e, até mesmo, o transplante de medula.

Quimioterapia

A principal forma de tratar a leucemia é com a quimioterapia. A forma como ela é feita depende de fatores específicos de cada paciente e será o médico quem avaliará a melhor forma de realizá-la. Esse tipo de tratamento usa produtos químicos para combater as células da leucemia. Dependendo do caso, somente um medicamento é usado, ou então, uma combinação de diversos deles pode ser utilizado para que o tratamento seja feito.

Radioterapia

A radioterapia é utilizada, na maioria das vezes, por pacientes que sofrem da leucemia linfoide crônica, para que as massas linfonodais sejam diminuídas. Ainda, a radioterapia pode ser usada para preparar o paciente para o transplante de medula óssea. A radioterapia usa raios-X e outros feixes de alta intensidade para danificar células leucêmicas e inibir o crescimento.

Terapia biológica

Esse tipo de tratamento é feito com terapias que auxiliam o sistema imunológico a atacar e reconhecer células leucêmicas.

Transplante de células tronco

O procedimento é baseado na substituição da medula óssea afetada pelo câncer por uma saudável. Antes que ocorra o transplante, sessões de quimioterapia e radioterapia podem ser feitas para que a medula óssea doente seja destruída. A infusão de células tronco são indicadas para reconstruir a medula.
O médico deve analisar vários fatores até decidir qual a melhor forma de tratar a doença, mas, geralmente, o tratamento é feito para destruir as células causadoras da leucemia, para que a medula óssea volte a produzir células normais. Em alguns casos específicos da doença, o transplante de medula óssea é indicado.

Fases do tratamento

O tratamento pode ser feito em algumas fases. A primeira consiste em atingir a remissão completa, ou seja, a cura que pode ser obtida através da poliquimioterapia. Isso ocorre somente após meses de tratamento e quando exames não demonstram mais anormalidades antes presentes.
Nas etapas seguintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de leucemia, podendo durar menos de um ano nas leucemias mieloides e mais de dois anos nas linfoides. Nelas, outras três fases são conhecidas:

Consolidação

Tratamento intensivo com substâncias não utilizadas anteriormente.

Reindução

Repetição de medicamentos usados na fase de indução da remissão.

Manutenção

Tratamento mais brando e contínuo que pode durar vários meses.
Em casos de poliquimioterapia pode ser necessário internamento do paciente por conta de infecções que podem ocorrer por causa da queda de glóbulos brancos que acontecem durante o tratamento.

É muito importante deixar claro que a automedicação não deve nunca ser feita. Caso seja feita, os sintomas podem piorar e complicações surgirem. Não interrompa o uso do medicamento sem orientação médica.

Atenção! 
NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. As informações contidas nesse site têm apenas a intenção de informar, não pretendendo, de forma alguma, substituir as orientações de um especialista ou servir como recomendação para qualquer tipo de tratamento. Siga sempre as instruções da bula e, se os sintomas persistirem, procure orientação médica ou farmacêutica.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Artrite: sintomas, tratamentos e causas


O que é Artrite?

Artrite é a inflamação em uma ou mais articulações, que são as "juntas" entre dois ossos.
Tipos
Os principais tipos de artrite são a artrite reumatoide e a osteoartrite (também conhecida como artrose).
Outros tipos mais comuns podem incluir:
  • Espondilite anquilosante
  • Artrite gonocócica
  • Gota
  • Condrocalcinose
  • Artrite reumatoide juvenil (em crianças)
  • Outras infecções por bactéria (artrite bacteriana não gonocócica)
  • Artrite psoriática
  • Artrite reativa (síndrome de Reiter)
  • Esclerodermia
  • Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
  • Febre reumática.

Causas

A inflamação nas articulações pode ser decorrente de:
  • Doença autoimune
  • Trauma
  • Desgaste geral das articulações
  • Infecção, geralmente por bactéria ou vírus
  • Deposito de cristais (metabólica).
A artrite pode resultar em lesão da cartilagem ( um tecido que protege a articulação, permitindo que ela se mova suavemente alem de absorver choques entre os ossos), dos ossos locais, da capsula articular e ligamentos. Quando sua causa e tratada a tempo a articulação volta ao normal. Dependendo da causa isso nem sempre ocorre. Nesses casos, o paciente é diagnosticado com artrite crônica.

Fatores de risco

Alguns fatores são considerados de risco para o surgimento da artrite. Conheça:
  • Histórico familiar: algumas famílias tem tendência genética
  • Idade: o risco de artrite aumenta com a idade do indivíduo
  • Gênero: mulheres têm mais chances de desenvolver artrite do que homens
  • Lesões: pessoas que tiveram lesões em articulações anteriormente também têm mais chances de desenvolver artrite no futuro
  • Obesidade: o excesso de gordura no corpo aumenta a pressão sobre as articulações, principalmente nos joelhos e no quadril.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Brasil é o primeiro a aprovar novo tratamento contra câncer no sangue

Anvisa libera medicamento para pacientes recém-diagnosticados com mieloma múltiplo e que não podem ser submetidos a transplante autólogo.

Os brasileiros com mieloma múltiplo recém-diagnosticados e que não podem realizar o transplante autólogo de células-tronco, quando o doador é o próprio paciente, serão os primeiros do mundo a se beneficiar de uma nova terapia. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a antecipação do medicamento imuno-oncológico daratumumabe, desenvolvido pela Janssen, empresa farmacêutica da Johnson & Johnson, para esses casos.
A aprovação foi baseada no estudo ALCYONE, apresentado pela farmacêutica durante o último encontro científico da Sociedade Americana de Hematologia, em Atlanta, nos Estados Unidos, em dezembro de 2017. O trabalho demonstrou que daratumumabe em combinação com outros fármacos – bortezomibe, melfalano e prednisona – reduz em 50% o risco de progressão da doença ou de morte nos pacientes com mieloma múltiplo inelegíveis para o transplante quando comparado ao tratamento padrão. Os resultados também foram publicados recentemente no New England Journal of Medicine.
Atualmente, cerca de 7,6 mil brasileiros são acometidos pela doença a cada ano. “Até então, daratumumabe tinha indicação para esses pacientes após falha de um tratamento prévio. Agora, eles não precisarão esperar para utilizar o medicamento e se beneficiar com a terapia”, afirma Telma Santos, Diretora Médica da Janssen Brasil.
 
Daratumumabe chegou ao Brasil em maio do ano passado, após ser avaliado em regime de priorização pela Anvisa, o que antecipou o acesso dos brasileiros à terapia em um ano e meio, praticamente ao mesmo tempo em que os principais países do mundo. A aprovação do medicamento introduziu, no tratamento da doença no Brasil, o conceito de imuno-oncologia, que usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater o câncer. Além disso, por ser uma terapia-alvo, daratumumabe atua especificamente nas células tumorais, na tentativa de tratar as doentes sem atingir as células saudáveis, garantindo, assim, maior precisão, menos efeitos colaterais e, consequentemente, melhora na qualidade de vida do paciente.
 
A aprovação foi considerada pela comunidade médica um marco na evolução do tratamento para o mieloma múltiplo, renovando a esperança de muitos brasileiros que, até o momento, contavam com poucas opções de terapia. “A qualidade da resposta ao tratamento é extremamente importante, pois pode significar um aumento da sobrevida do paciente, principalmente quando ele não é elegível para o transplante”, completa Breno Moreno de Gusmão, hematologista da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
 
Câncer agressivo
O mieloma múltiplo é um câncer formado por células plasmáticas malignas. Os plasmócitos normais são encontrados na medula óssea e compõem uma parte importante do sistema imunológico. Embora alguns pacientes com mieloma múltiplo não apresentem sintomas, a maioria é diagnosticada após manifestar fratura ou dor nos ossos, baixa contagem de glóbulos vermelhos, fadiga, elevação de cálcio, problemas renais ou infecções.
  
Antes do lançamento do daratumumabe no Brasil, o tratamento do mieloma múltiplo era feito com quimioterapia, drogas antineoplásicas, administração de corticoides ou transplante de medula óssea e afetava células doentes e sadias do organismo do paciente.