Novembro azul: prevenção precoce sem tabus Conscientização sobre o câncer de próstata ainda esbarra em preconceitos, mas é essencial.
Após o Outubro Rosa como mês de conscientização sobre o câncer de mama, novembro vem para destacar a campanha de combate às doenças masculinas, principalmente o câncer de próstata — o Novembro Azul. No Brasil, segundo publicação do Instituto Nacional de Câncer (Inca), do Ministério da Saúde, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do de pele. De acordo com o Instituto, para cada ano do triênio 2020-2022, A estimativa é que sejam diagnosticados 625 mil casos novos de câncer na próstata.
Depois do câncer de pele não melanoma (177 mil casos novos), os mais incidentes são os de mama e de próstata (66 mil cada), cólon e reto (41 mil), pulmão (30 mil) e estômago (21 mil). Separados por sexo, os tipos mais frequentes nos homens, excluindo-se pele não melanoma, são próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%).
Em junho de 2018, o servidor público aposentado, Wagner Sampaio Palhares, de 78 anos, descobriu que tinha câncer de próstata, muito embora ainda em 2009, Wagner fora alertado sobre o tamanho aumentado de sua próstata, durante uma consulta. “Fiz uma consulta com o médico do meu filho em Goiânia e constataram que a minha próstata estava um pouco aumentada, mas em níveis toleráveis. Era para eu me tratar anualmente, mas não fiz isso”, confessa.
Depois do diagnóstico, ele decidiu fazer a braquiterapia, que consiste na implantação de pequenas sementes radioativas para eliminar as células cancerígenas. Agora, em fase final do tratamento, ele está curado do câncer de próstata e se sente melhor para fazer as atividades do dia a dia. “Felizmente estou me sentindo bem atualmente, e faço exames regulares. A minha testosterona, por sinal, está tendo uma reposição. O meu PSA (exame usado para rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos) está zerado. Por recomendação de um amigo que também teve câncer de próstata, fiz esse tratamento, que é menos invasivo”, relata.. Wagner conta que, entre os sintomas, ele levantava da cama com frequência durante a noite para urinar e sentia que não esgotava a bexiga. “Fui ao hospital, fiz uma bateria de exames e constataram que a próstata estava aumentada. O meu tumor abarcava cerca de 60% da próstata”, relata.
“Todo homem ao chegar nos 45 anos tem que procurar um médico, é muito simples. Hoje está tudo modernizado, e a tecnologia está avançada. São exames que detectaram em detalhes o estado da próstata. Recomendo que todos os homens nessa faixa etária façam o exame”, aconselha Wagner.
Agora curado, o aposentado reconhece a relevância de procurar um médico para tratar a doença. “Ela está relacionada com a masculinidade e a sexualidade do homem. É muito importante para que se investigue isso para prolongar a vida. Essa visita ao médico é super tranquila. As pessoas fazem uma restrição muito grande ao toque retal. A próstata é uma glândula que fica bem próxima do reto, e o médico vai fazer o exame para ver se tem uma anormalidade, e pelo toque ele percebe. Mudei bastante o meu pensamento sobre o tratamento”, conclui.
“Temos que levar informação”
Segundo o médico urologista do Hospital Urológico de Brasília, Mário Chammas, o caso de Wagner expõe a preocupação dos médicos com os diagnósticos tardios, sem uma avaliação precoce. “O homem ainda tem preconceito para realização do exame de próstata. Isso, aliado a uma dificuldade de acesso à saúde pública, acaba piorando a situação de pacientes com renda menor por terem mais dificuldade de manter um acompanhamento regular de pelo menos uma vez por um ano. Mas o preconceito tem diminuído um pouco com as campanhas do Novembro Azul. De qualquer forma, temos que levar informação ao maior número de homens para eles fazerem uma consulta preventiva”, orienta.
O urologista destaca que o grande problema do câncer de próstata é que, na maioria das vezes, não há sintomas. “Às vezes, há casos de câncer avançado e nenhum sintoma aparente. Por isso que toda essa campanha de conscientização é importante porque leva o homem a pensar de maneira preventiva sem sentir nada. A gente tem que mudar essa paradigma”, afirma o médico.
De acordo com o médico e diretor técnico do Hospital Urológico de Brasília, Geovani de Assis Pinheiro, o diagnóstico precoce, realizado com o exame do toque retal e com a dosagem do PSA no sangue, é essencial para a cura. “A maioria dos cânceres de próstata cresce lentamente e não causa sintomas no início, mas tumores em estágio mais avançado podem causar dificuldades para urinar, sensação de não conseguir esvaziar completamente a bexiga, presença de sangue na urina e, em alguns casos, dor óssea na região das costas”, esclarece.
Mesmo na ausência de sintomas, homens a partir dos 45 anos com fatores de risco, ou 50 anos sem estes fatores, devem ir a um especialista para fazer as análises. “Cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração no toque retal”, ressalta Pinheiro.
A ressonância magnética multiparamétrica da próstata contribui na avaliação prostática, aumentando a detecção de tumores, principalmente dos tumores mais agressivos. “Com a ressonância magnética, produzimos imagens anatômicas e funcionais, desta forma conseguimos encontrar e localizar as lesões da próstata e, com isso, viabilizar a biópsia dirigida da área suspeita, ampliando assim as chances de um resultado positivo. Este exame também é muito eficaz no diagnóstico de recidiva neoplásica, ou seja, pacientes já tratados e que evoluem com aumento dos valores de PSA”, explica Philipe Cavalcanti, médico da Perfecta Diagnóstico por Imagem.
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