sexta-feira, 3 de julho de 2015

Centro de Investigação Translacional em Oncologia

Um dos objetivos do Icesp é coordenar a extensa rede de pesquisadores que estudam o câncer em várias frentes. 

Para tanto, está construindo um centro com equipamentos e serviços comuns a todos os grupos de pesquisa, incluindo microscópios a laser, seqüenciadores de DNA, separadores de células e ambientes para cultivo de células e produção de DNA recombinante e vírus recombinantes. 

Haverá, ainda, a implantação de um banco de amostras biológicas, com fragmentos de tumores congelados, amostras de sangue, RNA, DNA e proteínas coletadas dos pacientes. 

Atuando de forma coordenada e integrada será possível otimizar recursos e acelerar a difusão dos resultados obtidos nas áreas de pesquisa, que foram divididas em quatro grandes programas: 



1. Programa de Pesquisas Clínicas – estudos de novas formas para prevenir, diagnosticar ou tratar o câncer.


2. Programa de Oncologia Molecular – estudos abrangentes que vão do diagnóstico até as mais recentes inovações no campo molecular, como novos marcadores para diagnóstico de tumores, diagnóstico molecular por imagem e outros.


3. Programa de Inovação em Terapia – fazendo interface com Programa de Pesquisas Clínicas, desenvolve estudos sobre novas tecnologias, inovações e aperfeiçoamento de modalidades terapêuticas já existentes. 


4. Programa de Medicina Regenerativa aplicada à Oncologia – estudo das bases para regeneração tecidual e sua aplicação na recuperação do paciente com câncer.

USP integra movimento da ONU em prol da igualdade de gêneros


A USP foi uma das dez universidades mundiais escolhidas para fazer parte do movimento solidário “ElesPorElas” [HeForShe], desenvolvido pela UN Women, instituição das Nações Unidas dedicada a projetos na área de igualdade de gêneros e empoderamento das mulheres. A USP é a única universidade latino-americana selecionada.
O “ElesPorElas” é um movimento global de solidariedade que convoca pessoas de todo o mundo para desenvolver iniciativas e advogar pela igualdade de gêneros.
O projeto faz parte do programa “Impacto 10x10x10”, lançado no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro deste ano. O programa reúne 30 líderes mundiais em três setores – público, privado e academia. As Universidades são selecionadas a partir de critérios baseados em sua reputação ética, excelência no serviço público, relevância e alcance global e a boa vontade em usar sua influência para comandar e inspirar mudanças no ensino superior.
“Além das missões tradicionais das Universidades, relacionadas com ensino, pesquisa e extensão, a USP deve ter um papel significativo para promover o progresso social da região. A educação universitária representa uma oportunidade especial para contribuir para a mudança de comportamento, como a erradicação da violência e de todos os tipos de discriminação”, destaca o reitor da USP, Marco Antonio Zago.
Uma das principais iniciativas da USP, que integra o projeto da ONU, é a criação do Programa “USP Mulheres”, que será coordenado pela professora da Faculdade de Medicina (FM), Lilia Blima Schraiber.  A docente é responsável por um grupo de pesquisa que desenvolve estudos e intervenções sociais voltadas a violência, gênero e práticas de saúde.
Esse programa, que terá um escritório no campus de São Paulo, será responsável pela coordenação do relacionamento entre a Administração da Universidade e a comunidade universitária e pela proposição e implementação de iniciativas e projetos voltados para a igualdade de gêneros.
A USP também estabelecerá uma linha de pesquisa interdisciplinar para desenvolver estudos voltados para a diversidade dos aspectos de gênero e o papel do gênero no desenvolvimento urbano. Essa linha será desenvolvida em programas já existentes em centros de pesquisa da Universidade, como o Núcleo de Estudos da Violência e o Centro de Estudos da Metrópole, e como parte de um novo programa de pesquisa do Instituto de Estudos Avançados.
Além da USP, as nove Universidades selecionadas para o “Impacto 10x10x10” foram: Georgetown University; University of Hong Kong; University of Leicester; Nagoya University; Oxford University; Sciences Po; Stony Brook University (The State University of New York); University of Waterloo; e University of the Witwatersrand.
Está previsto para o segundo semestre de 2016 um encontro internacional com a participação das dez Universidades, que terá como tema “Erradicando a violência contra as mulheres nos campi universitários”.
Fonte: Assessoria de Imprensa da USP

Boca e Garganta

câncer oral é o que tem início na cavidade bucal, o que inclui lábios, o revestimento interno da boca (mucosa bucal), os dentes, gengivas, os primeiros dois terços da língua, a parte da boca que fica debaixo da língua (soalho da boca), o céu da boca (palato duro) e a área atrás dos dentes do siso, o trígono retromolar.
câncer orofaríngeo é o que se desenvolve na parte da garganta que fica logo atrás da boca, chamada de orofaringe. Ela inclui a base da língua (o último terço da língua), o palato mole, as amígdalas e os pilares e as paredes laterais e posterior da garganta (paredes faríngeas laterais e parede faríngea posterior). Glândulas salivares menores da boca e da garganta produzem saliva, que mantém a boca umedecida e ajudam na digestão dos alimentos.
A boca e a garganta participam de vários processos, entre eles a respiração, fala, alimentação, mastigação e deglutição. Ambas contêm vários tipos de células e tecidos e diferentes tipos de tumores podem se desenvolver a partir de cada tipo de célula. Essas diferenças são importantes porque influenciam o tratamento e o prognóstico (chance de sobrevivência) do paciente.
Alguns desses tumores são benignos, isto é, não invadem outros tecidos nem se disseminam para outros órgãos do corpo. Outros são cancerosos, podem invadir tecidos vizinhos e atingir outros órgãos do corpo. Há ainda crescimentos celulares que de início são inofensivos, mas que mais tarde podem se tornar cancerosos. São conhecidos como lesões cancerizáveis.

Tumores Benignos

Os tumores benignos incluem lesões de células gigantes, fibroma, queratoacantoma, leiomioma, osteocondroma, lipoma, schwannoma, neurofibroma, papiloma, papilomatose (HPV), granuloma piogênico e rabdomioma, bem como os tumores odontogênicos. O tratamento básico para essas condições é a remoção cirúrgica, através da boca, sem incisões externas, já que a recorrência é pouco provável.

Leucoplasia, Eritroplasia e Displasia

Leucoplasia e eritroplasia são termos que descrevem áreas anormais na boca e garganta. A leucoplasia é uma área esbranquiçada. A eritroplasia é uma área avermelhada, levemente elevada, geralmente assintomática, que não sai quando raspa-se sobre a lesão. Na maior parte dos casos, o achado é incidental, durante o exame clínico realizado por médico ou por dentista.
A gravidade da leucoplasia ou da eritroplasia só pode ser determinada por um exame clínico complementado, quando necessário, por uma biópsia, ou seja, a análise microscópica de uma amostra de tecido. Algumas vezes essa avaliação pode ser feita por meio de citologia exfoliativa, técnica na qual a lesão é descamada com um instrumento e as células assim obtidas são analisadas ao microscópio, mas os resultados não são confiáveis como os da biópsia.
Essas áreas esbranquiçadas ou avermelhadas podem ser cancerosas ou uma lesão cancerizável chamadadisplasia pode estar presente. Em muitos casos, particularmente de leucoplasia, o achado pode descartar a possibilidade de câncer. Há formas brandas, moderadas ou severas de displasia, que se distinguem umas das outras pelo quanto parecem anormais ao microscópio. Saber o grau de displasia ajuda a prever qual a probabilidade de a lesão evoluir para um câncer, desaparecer sozinha ou com tratamento. Geralmente, a displasia desaparece se o fator que a causa é eliminado. As causas mais freqüentes são o hábito de fumar e/ou mascar tabaco. A irritação provocada por dentes ásperos, superfícies irregulares em obturações, coroas ou dentaduras contra a língua ou interior das bochechas pode causar leucoplasia ou eritroplasia. Tratamentos com retinóides (substâncias derivadas da síntese de vitamina A) aplicadas às lesões podem ajudar a eliminar algumas áreas de displasia e evitar o aparecimento de outras. A vitamina A também pode ser usada no tratamento.
A gravidade da leucoplasia e da eritroplasia pode ser determinada com precisão apenas pela biópsia, mas há várias outras formas de saber se trata-se de câncer ou não. Um método usado para escolher o local da biópsia é o emprego de um corante chamado azul de toluidina que é espalhado sobre a área suspeita. Se houver câncer, o tecido maligno ficará azul. Há outras doenças que também determinam esta coloração. Somente a biópsia permite a diferenciação com segurança.
Na maioria das vezes, a leucoplasia é uma condição benigna que raramente evolui para câncer. Cerca de 25% das leucoplasias, porém, ou são cancerosas quando detectadas ou envolvem alterações pré-cancerosas que evoluem para câncer em 10 anos se não forem tratadas adequadamente. Geralmente, a eritroplasia é mais séria e 70% a 95% dessas lesões são cancerosas à época da biópsia inicial ou vão evoluir para câncer.
Pode ser necessário também medir o conteúdo de DNA da leucoplasia ou eritroplasia. Se o conteúdo de DNA é normal, a chance de desenvolver câncer é pequena, embora isso possa ocorrer. Mas, se a quantidade de DNA é anormal - geralmente DNA demais - a possibilidade de o câncer se desenvolver é alta.

Tipos de Câncer de Boca e Garganta

Mais de 90% dos cânceres de boca e garganta são carcinomas de células escamosas, também chamados de carcinomas espinocelulares ou ainda carcinomas epidermóides. Células escamosas são achatadas, e normalmente revestem a cavidade bucal e a garganta. O carcinoma espinocelular começa como um conjunto de células escamosas anormais. A forma inicial do carcinoma de células escamosas é chamado de carcinomain situ, isto é, o câncer só está presente nas células da camada de revestimento, chamada de epitélio. Um carcinoma espinocelular invasivo significa que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da cavidade bucal e da orofaringe.
carcinoma verrucoso é uma variante do carcinoma espinocelular que responde por menos de 5% dos tumores da boca. É um câncer de baixa agressividade, que raramente produz metástases, mas que pode se espalhar profundamente pelos tecidos vizinhos. Assim, a remoção cirúrgica do tumor com boa margem de tecidos ao redor é recomendada nesses casos.
Cânceres das glândulas salivares menores podem se desenvolver nas glândulas encontradas logo abaixo do revestimento da boca e da garganta. Há vários tipos de cânceres das glândulas salivares menores, incluindo carcinoma adenocístico ou adenóide cístico, carcinoma mucoepidermóide e adenoma pleomórfico.
Embora sejam raros, os sarcomas são tumores originados dos tecidos de sustentação e sua história natural e tratamento são distintos dos carcinomas.
As amígdalas e a base da língua contêm tecido do sistema imunológico (linfóide) que também pode desenvolver câncer: Linfomas Não-Hodgkin, Linfomas Não-Hodgkin Infantis e Linfoma de Hodgkin.
tratamento e prognóstico dos pacientes com câncer das glândulas salivares menores e linfomas são diferentes dos pacientes de carcinomas espinocelulares e não vão ser discutidos aqui. O restante deste documento refere-se apenas aos carcinomas espinocelulares de boca e garganta.
No Brasil, são estimados para 2015 cerca de 11.280 novos casos de câncer de cavidade oral em homens e 4.010 em mulheres.
Nos Estados Unidos, devem ser registrados 30.990 novos casos de câncer de boca e garganta, sendo 20.180 em homens e 10.810 em mulheres, com um total de 7.430 mortes projetadas para o mesmo período. Entre os americanos, o número de casos da doença vem caindo nos últimos 20 anos, a uma velocidade de 1% ao ano. A taxa de mortalidade desses cânceres também está em queda desde os anos 70.
Os locais mais comuns de câncer na boca são a língua (26%) e o lábio (23%), principalmente o inferior. Outros 16% são encontrados no soalho da boca e 11% nas glândulas salivares menores. O restante é encontrado nas gengivas e outros locais. Esses cânceres podem ocorrer em pessoas jovens, mas são raros em crianças. Cerca de um terço dos pacientes têm menos de 55 anos.
A incidência de câncer de boca varia de país para país. Ele é muito mais comum na França, Hungria e Índia, por exemplo, do que nos Estados Unidos e muito mais raro no México e no Japão. Cientistas que estudam a doença atribuem essas diferenças a fatores de risco ambientais e comportamentais.
Nos países não-desenvolvidos, os cânceres de boca estão entre os três mais comuns. No Brasil, é o quinto em incidência, mas infelizmente, por aqui 80% dos tumores são diagnosticados em estádio já avançado e apenas 20% são detectados precocemente, durante exame médico ou odontológico.
Pacientes recém-diagnosticados podem apresentar outro tumor em áreas próximas como a laringe, o esôfago (que liga a garganta ao estômago) ou pulmão. Daqueles curados do câncer de boca ou garganta, entre 10% e 40% podem desenvolver outro câncer num desses órgãos ou um segundo câncer da cavidade bucal ou garganta mais tarde. Por essa razão, é importante que esses pacientes sejam monitorados pelo resto da vida e evitem o cigarro e a bebida, que aumentam o risco desses outros cânceres.
Muitos casos de câncer de boca e garganta podem ser diagnosticados precocemente durante exames médicos ou dentários de rotina ou mesmo por auto-exame. Alguns cânceres produzem sintomas logo no início, levando o paciente a procurar o médico, mas infelizmente muitos só provocam sintomas quando atingem um estádio avançado ou então causam sintomas que parecem ser de outro problema, como dor de dente, por exemplo.
Check-ups dentários que incluem o exame da boca são importantes para a detecção precoce de lesões pré-cancerosas e do câncer de boca e de garganta. Médicos e dentistas também recomendam pelo menos um auto-exame mensal em que as pessoas procurem pelos sinais e sintomas listados abaixo com o auxílio de um espelho.

Sinais e Sintomas

A existência de qualquer dos sinais e sintomas abaixo pode sugerir a existência de câncer, mas nesse caso o médico deverá pedir outros exames, para confirmar ou não o diagnóstico. Muitos desses sinais e sintomas podem ser causados por outros tipos de câncer ou por doenças menos graves, benignas. É importante consultar o médico ou o dentista se qualquer desses sintomas persistir por mais de 2 semanas. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, maiores as chances de sucesso:
  • Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum)
  • Dor na boca que não passa (também muito comum, mas em fases mais tardias)
  • Nódulo persistente ou espessamento na bochecha
  • Área avermelhada ou esbranquiçada nas gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca
  • Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada na garganta
  • Dificuldade para mastigar ou engolir
  • Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua
  • Dormência da língua ou outra área da boca
  • Inchaço da mandíbula que faz com que a dentadura ou prótese perca o encaixe ou incomode
  • Dentes que ficam frouxos ou moles na gengiva ou dor em torno dos dentes ou mandíbula
  • Mudanças na voz
  • Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço
  • Perda de peso
  • Mau hálito persistente

Exames

  • Histórico médico completo: o primeiro passo em qualquer avaliação médica é reunir informações sobre sintomas, fatores de risco e outros problemas médicos.
  • Exame físico: o médico deve fazer um exame físico completo e procurar certas anormalidades que possam ser causadas por câncer de boca ou garganta, como nódulos no pescoço ou anomalias dos nervos da face e boca.
  • Consulta com um especialista: se houver motivo para suspeitar de câncer, seu médico ou dentista irá indicar um especialista, um cirurgião de cabeça e pescoço para uma avaliação mais completa.
  • Exame completo de cabeça e pescoço (incluindo nasofaringoscopia, faringoscopia e laringoscopia): Como a orofaringe (garganta) fica dentro do pescoço e não pode ser vista facilmente, são usados tubos flexíveis, com fibras ópticas, luz na ponta e espelhos para examinar essas áreas. A faringoscopia e a laringoscopia indiretas consistem no uso de pequenos espelhos para visualizar a faringe, base da língua e laringe. A laringoscopia direta é feita com fibras ópticas. Como os pacientes com câncer de boca e garganta têm maior risco de apresentar tumores em outras áreas da cabeça e pescoço, a região atrás do nariz, a laringe e os gânglios linfáticos do pescoço precisam ser examinados atentamente.
  • Panendoscopia ou endoscopia tríplice (incluindo laringoscopia, esofagoscopia e broncoscopia): se as chances de um câncer de cabeça e pescoço são altas, pode ser feito um exame completo da boca, garganta, laringe, esôfago, traquéia e brônquios. Esse exame, chamado panendoscopia ou endoscopia tríplice, é feito no centro cirúrgico com anestesia geral.
    Por causa do risco significativo de um segundo câncer nos pacientes com tumores de boca e garganta, o médico também avalia laringe e esôfago e possivelmente a traquéia e os brônquios. O especialista também pode aproveitar a oportunidade para remover amostras de tecidos para análise, se isso ainda não foi feito no consultório.
  • Citologia exfoliativa: esta técnica é semelhante à do exame de Papanicolaou. O médico raspa a lesão suspeita e espalha o tecido coletado sobre uma lâmina. A amostra recebe um corante e é analisada ao microscópio. Se essas células parecerem anormais, uma biópsia será feita. A vantagem desta técnica é que, além de simples, permite a análise de lesões com aparência minimamente anormal, abrindo caminho para diagnóstico precoce. No entanto, este método não detecta todos os cânceres e nem sempre é possível distinguir entre as células cancerosas e células não-cancerosas (displasia).
  • Biópsia incisional: ela pode ser feita no consultório ou centro cirúrgico, dependendo da localização do tumor. Se a biópsia for feita no consultório, a região receberá anestesia local. Se o tumor estiver na parte de trás da boca ou no fundo da garganta, o procedimento será feito em centro cirúrgico com anestesia geral.
  • Biópsia por aspiração com agulha fina (BAAF): se o paciente apresenta um caroço (nódulo) no pescoço, uma agulha fina pode ser introduzida no local para remover células que posteriormente serão analisadas ao microscópio. A biópsia por aspiração com agulha fina pode ser utilizada em várias situações diferentes. O exame pode mostrar que o nódulo aumentado é resultado de uma infecção ou se trata de um cisto benigno, que pode ser removido cirurgicamente. Se os resultados são benignos, mas o paciente apresenta sintomas de câncer, uma endoscopia tríplice pode ser necessária. Se a BAAF revela a presença de células cancerosas, o médico geralmente pode dizer de que tipo é. Se for um linfoma (câncer dos nódulos linfáticos) ou um câncer que se espalhou para os gânglios do pescoço a partir da tireóide, pulmões ou outros órgãos, mais exames serão necessários. Se o tipo de células observadas for consistente com cânceres de boca e de garganta, novos testes serão feitos para determinar a localização do tumor.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

01/07/2015 10h43 - Atualizado em 01/07/2015 12h13

Estilo de vida pode ser decisivo para o surgimento de doenças

Aconselhamento genético ajuda a combater e prevenir doenças.
Herança genética nunca é a única causa do câncer.

Do G1, em São Paulo
Se você pudesse nascer duas vezes no mesmo corpo daria para saber quais são as experiências que estragam a sua saúde. Mas como isso é quase impossível, o histórico de saúde da família pode ajudar a prevenir doenças sérias, como o câncer. Os convidados do Bem Estar desta quarta-feira (1), o pediatra e onco-hematologista Ricardo Ghelman, o neurologista Alexandre Ghelman e o oncologista Fernando Maluf, explicaram o que é o aconselhamento genético.
O aconselhamento genético ajuda a prevenir e combater doenças que já surgiram na família e que talvez a pessoa tenha mais chance de desenvolver. É importante o médico saber se existem casos de câncer, problemas no coração, hipertensão na família, já que algumas doenças são hereditárias. Com as informações, o profissional monta um mapa da família, com todas as doenças. Depois disso, são feitos exames, caso necessário.
A herança genética nunca é a única causa do câncer, ela corresponde a 10% dos casos. Muitas vezes, outros fatores podem interagir com o fator genético, como o ambiente, os alimentos, medicamentos e o estilo de vida. Quem fuma e bebe, por exemplo, tem mais chance de desenvolver câncer.
E a saúde mental, pode ser um fator de proteção? Os cientistas dedicam-se a entender como promover a resiliência, que é a capacidade de não sucumbir aos revezes da vida. Quem sucumbe está mais exposto ao estresse e ao abuso de substâncias e comidas, que são fatores de risco para uma série de problemas de saúde. A resiliência tem relação com o equilíbrio de três campos da mente: cognitivo, afetivo e comportamental.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Comunicado à população e aos pacientes do INCA

30/06/2015 - O Instituto Nacional de Câncer informa que está funcionando normalmente. Todos os procedimentos oferecidos pela instituição estão mantidos, incluindo serviços de emergência, atendimento ambulatorial e de pacientes internados e procedimentos diagnósticos e terapêuticos (cirurgia, quimioterapia e radioterapia).
Caso você seja paciente e tenha dúvidas sobre a prestação de serviços, procure a Ouvidoria Geral do INCA para esclarecimentos, nosso canal oficial de atendimento ao cidadão (ouvidoria.geral@inca.gov.br ou acesse a página da Ouvidoria Geral emwww.inca.gov.br).
O INCA, a sua direção e força de trabalho reafirmam o compromisso de atender à população com universalidade, equidade e integralidade, princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). 
30/06/2015 06h26 - Atualizado em 30/06/2015 06h26

Alunos ajudam professora do Rio em luta contra câncer no exterior

Berta Toste sofre de um condrossarcoma, um tumor ósseo.
Estudantes e ex-alunos ajudam a disseminar campanha na internet.

Cristina BoeckelDo G1 Rio
Quando decidiu colocar um post no Facebook para pedir doações em busca do dinheiro para um tratamento de câncer no exterior, a professora Berta Toste não imaginava que seu pedido de auxílio chegaria tão longe e nem atingiria pessoas que conheceu há décadas. Professora de desenho em alguns dos principais colégios do Rio há 20 anos, ela conta com a mobilização de alunos, amigos e até de desconhecidos que se uniram em uma rede de solidariedade para ajudá-la a reunir o dinheiro necessário ao tratamento de um câncer de difícil tratamento no exterior.
O tratamento, que é experimental, tem valor a partir de US$ 180 mil, o equivalente a mais de R$ 540 mil. Mas pode sair bem mais caro. O valor exato só será conhecido a partir de 6 de agosto, quando ela passar por uma consulta de avaliação com os médicos do Moffitt Cancer Center, no estado americano da Flórida. Diante do caso, eles dirão quais são os custos. Os médicos de Berta a apóiam na opção de buscar tratamento no exterior. “Eu conversei com eles e perguntei o que achavam. Os médicos disseram que valeria a pena. Porque o tratamento que eu faço aqui tem uma porcentagem de cura pequena”.
Na luta contra o câncer, Berta encontrou refúgio não somente na família, mas também nos alunos e ex-alunos. Eles logo se dispuseram a ajudar e foram fundamentais para difundir a busca por tratamento de maneira bem contundente. “Os colegas de trabalho sugeriram fazer uma vaquinha na rede social, que eu achei que só fosse chegar aos amigos e aos colegas. Só que foram mais de 15 mil compartilhamentos em quatro dias”.
Apelo em rede social conta com quase 20 mil compartilhamentos. (Foto: Reprodução/ Facebook)Apelo em rede social conta com quase 20 mil compartilhamentos. (Foto: Reprodução/ Facebook)
Em pouco tempo, a rede de solidariedade em torno da professora ganhou a criação de eventos e até de um site que, para demonstrar transparência no processo, mostra quanto a campanha já arrecadou.
“Mesmo sabendo do valor alto, eu recebo mensagens de pessoas que sequer me conhecem e ficaram sensibilizadas. Eu também recebi muitos depoimentos dos alunos. Quando eu coloquei na rede social, eu sugeri que as pessoas, ao compartilharem, me dissessem de onde me conheciam. Porque isso ia mostrar veracidade. Muitas vezes as pessoas olham essas postagens na internet e não sabem se é verdade ou não. E eu recebi depoimentos de muitos alunos dizendo que iam compartilhar, divulgar e até pessoas que não me conhecem, mas que vivenciaram este drama de alguma maneira por um parente ou problema na família. Eu recebo também muitas orações e sugestões de tratamento”, conta a professora.
A professora Berta Toste antes de passar pelo tratamento de quimioterapia. (Foto: Berta Toste/ Arquivo pessoal)A professora Berta Toste antes de passar pelo
tratamento de quimioterapia.
(Foto: Berta Toste/ Arquivo pessoal)
Alunos se mobilizam
Carolina Macena, que estudou no Colégio Pedro II, é uma das ex-alunas de Berta que tenta espalhar o pedido por ajuda. “Quando eu vi no caso da , Berta no Facebook, isso me tocou. Eu sou atualmente profissional de saúde. Sei qual é a luta dessas pessoas. Eu me sensibilizei muito. Eu me lembro dela como uma professora alegre e cheia de vida, super companheira, gente boa. Acabei me sensibilizando da luta desses pacientes”, conta ela, que atualmente é enfermeira do Hospital Geral de Bonsucesso e do Souza Aguiar.
Amauri Ferreira, que também foi aluno de Berta, em 1997, soube do estado de saúde da professora por meio de um grupo de Whatsapp dos alunos do colégio. A partir daí, passou a divulgar a causa a todos os seus conhecidos em busca de mais doações que ajudem a custear o tratamento. “Eu me sensibilizei com a causa e estou mandando todas as minhas orações e energias”, conta Amauri.
Yasmin Franceschi, que foi aluna de Berta por três anos, também se mobilizou. Aos 17 anos, ela atualmente estuda em uma escola internacional em Telaviv, em Israel. A distância não foi suficiente para separá-la da luta da professora. “Eu estou tentando divulgar o texto em inglês, para os meus amigos de lá, compartilhando a mensagem e tentando fazer com que chegue à mídia e ao maior número possível de pessoas. Nós estamos tentando mobilizar todo mundo”.
Apesar de pouco tempo no ar, a campanha começa a dar os primeiros resultados. No último domingo (28), a arrecadação de 19 dias havia somado R$ 90 mil, ou seja, 18% da meta. Foram, até o momento, 859 doações. Mesmo assim, ainda é pouco para chegar a meta de R$ 500 mil.
Berta Toste busca arrecadas R$ 500 mil em doações para passar por tratamento no exterior. (Foto: Cristina Boeckel/ G1)
Tratamento nos EUA
Em 2014, Berta recebeu o diagnóstico de um tumor de 11 centímetros na cavidade pélvica, descoberto após a reclamação de um incômodo em uma consulta ginecológica de rotina. Após uma cirurgia para retirar o problema, as análises patológicas e imunohistoquímicas do material deram o diagnóstico: tratava-se de um condrossarcoma, um tumor ósseo que costuma avançar rapidamente pelo organismo.
Pouco tempo depois, um exame revelou que havia nódulos também nos pulmões, com metástase. Como não podiam ser retirados com cirugia, a solução seria passar por sessões de quimioterapia, com efeitos devastadores no organismo. “Foram três ciclos de três dias seguidos. Depois eu descansava 21 dias. Eu vomitei muito, enjoei muito. Ficava uma semana de cama. Era uma rotina bem complicada”, conta Berta.
Só que o protocolo de tratamento não costuma ter uma porcentagem de recuperação muito alta. Buscando alternativas para uma cura efetiva, o marido da professora encontrou uma esperança. “Vendo a dificuldade da quimioterapia, o sofrimento e tudo, meu marido ficou sabendo de uma pessoa que tinha feito o tratamento neste hospital, na Flórida, e a gente começou a correr atrás disso. Entramos em contato e conseguimos marcar a consulta. Mas o tratamento de quimioterapia é caro. A gente não tem noção porque geralmente é o SUS ou os planos de saúde que pagam. E lá tem que pagar todo o custo”.
Enquanto o valor não é arrecadado, a luta de Berta pela vida segue em frente e ela reúne os exames que precisa levar aos EUA. E seus alunos seguem no firme propósito de fazer com que a internet torne o tratamento que pode curá-la uma realidade. A ex-aluna Yasmin resume o sentimento dos engajados na campanha.
“A internet não é só lugar de entretenimento. Também pode ser uma rede de solidariedade. Existem pessoas e causas que são legítimas. Quando realmente há uma possibilidade de solução, é importante usar o impacto dessas redes para isso. A professora não é um caso perdido. Ela só precisa contar com a solidariedade das pessoas”.