MARÇO É CONSIDERADO O MÊS MUNDIAL PARA A CONSCIENTIZAÇÃO DO CÂNCER DE COLORRETAL (INTESTINO).
O que é o Câncer de Colorretal?
O câncer do intestino grosso, chamado
também de câncer de cólon e de reto ou colorretal, é uma doença que atinge
frequentemente homens e mulheres no mundo ocidental.
Em sua maioria, o câncer colorretal se desenvolve gradativamente sem apresentar
qualquer sintoma por uma alteração nas células que começam a crescer de forma
desordenada.
Por esse motivo, a detecção precoce é fundamental. Quanto mais cedo se descobre
o câncer, maiores são as chances de cura da doença.
O rastreamento pode detectar o câncer colorretal
precocemente, quando ainda a possibilidade de cura é grande. Isso ocorre porque
alguns pólipos ou tumores podem ser encontrados e removidos antes de se
transformarem em câncer.
Rastreamento
Rastreamento é o processo da detecção de câncer em
pessoas sem qualquer sintoma, e pode ser dividido em dois grandes grupos:
Exames que podem detectar a presença
de pólipos – São exames que avaliam a
estrutura do cólon para detectar as áreas anormais. Os pólipos podem ser
retirados antes de se tornarem cancerígenos.
• Sigmoidoscopia
flexível, a cada 5 anos
• Colonoscopia, a cada 10 anos
• Enema opaco com duplo contraste, a cada 5 anos
• Colonoscopia virtual, a cada 5 anos
Exames para detecção de câncer - Exame de fezes para detecção de sinais de
câncer. Este exame é menos invasivo e mais fácil de ser feito, mas é menos
específico para detecção de pólipos.
• Exame de sangue oculto
nas fezes, anualmente
• Imunoquímico fecal, anualmente
• DNA das fezes, intervalo incerto
Esses testes, assim como outros podem ser
utilizados quando as pessoas têm sintomas do aparelho digestivo que podem ser
de câncer colorretal ou outras doenças que podem acometer o intestino.
Recomendações
A prevenção do câncer colorretal deve ser uma das
principais razões para a realização dos exames. Encontrar e remover pólipos
pode evitar que algumas pessoas desenvolvam câncer colorretal. Começando aos 50
anos de idade, homens e mulheres com risco médio para o desenvolvimento de
câncer colorretal devem fazer os seguintes rastreamentos:
Em um exame de toque retal, o médico examina o reto
com um dedo com luva lubrificada. O toque retal está incluído no exame físico
rotineiro, mas, não é recomendado como único exame para detecção do câncer
colorretal. Este exame simples e indolor, pode detectar massas no canal anal ou
reto inferior. No entanto, não é um bom teste para detecção de câncer
colorretal, devido ao alcance limitado.
Se você pertence a um grupo de risco aumentado ou
alto para câncer colorretal, você deve iniciar o rastreamento do câncer
colorretal antes dos 50 anos.
As condições abaixo definem as pessoas em risco
médio:
• Histórico pessoal de
câncer colorretal ou pólipos adenomatosos.
• Histórico pessoal de doença inflamatória intestinal (colite
ulcerosa ou doença de Crohn).
• Histórico familiar de câncer colorretal ou pólipos.
• Histórico familiar conhecida de síndrome de câncer
colorretal hereditário (polipose adenomatosa familiar) ou não hereditários de
câncer de cólon (polipose).
Tratamento
A escolha do tratamento depende principalmente da
localização da lesão tumoral no cólon ou reto e do estadiamento da doença. O
tratamento da doença poderá incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e
terapia biológica.
Cirurgia
A cirurgia é o tratamento mais frequente para o
câncer colorretal, podendo ser realizada utilizando diferentes técnicas:
Colonoscopia - É quando se observa dentro do intestino,
retirando-se um pólipo do cólon ou reto durante o exame.
Laparoscopia - É a técnica que introduz pelo abdome
instrumentos, com os quais podem ser observadas as estruturas internas do
corpo, retirando-se a região onde está localizada a lesão suspeita.
Cirurgia aberta - É quando o cirurgião realiza uma operação,
na qual é necessária uma abordagem mais ampla, proporcionando uma melhor
visualização das estruturas abdominais. Essa cirurgia é utilizada em casos onde
a lesão não pode ser extirpada por outros métodos.
Quando se realiza a cirurgia de retirada da lesão
cancerígena também se retira parte do cólon ou reto, e se conectam as partes
sadias. Entretanto, algumas vezes não é possível fazer isto. Neste caso,
durante a própria cirurgia se cria um caminho novo para a passagem das fezes,
denominado estoma. O estoma é uma abertura criada na parede do abdome para se
conectar ao extremo do intestino. Essa cirurgia recebe o nome de colostomia. A
partir desta cirurgia, as fezes passam a ser armazenadas em uma bolsa coletora
que fica sobre o estoma e se adere à pele do abdome.
Para a maioria dos pacientes, o estoma é
temporário. Uma vez cicatrizadas as partes do cólon ou reto, um novo
procedimento cirúrgico é realizado para conectar as partes do intestino e fechar
o estoma. Alguns pacientes, sobre tudo os que têm um tumor na parte inferior do
reto, precisam de um estoma permanente.
Quimioterapia
A quimioterapia utiliza medicamentos
anticancerígenos para destruir as células tumorais. Por ser um tratamento sistêmico,
a quimioterapia atinge não somente as células cancerígenas como também as
células sadias do organismo. De forma geral, a quimioterapia é administrada por
via venosa, embora alguns quimioterápicos possam ser administrados por via
oral.
Por se tratar de uma terapia sistêmica, a
quimioterapia pode provocar alguns efeitos colaterais, tais como: anemia, queda
do sistema de defesa imunológico ou alteração na coagulação do sangue, queda de
cabelos, náuseas, vômitos, diarréia, dor e vermelhidão nas palmas das mãos e
plantas dos pés.
É muito importante que o paciente comunique sempre
ao médico qualquer sintoma que apresente e considere fora do normal. Assim, ele
poderá definir a necessidade de utilizar ou não medicamentos adicionais para
controlar os sintomas.
Radioterapia
É um tipo de tratamento que utiliza raios X de alta
energia para destruir as células cancerígenas. A radioterapia pode ser externa,
ou seja, quando a fonte de radiação está fora do corpo. O tratamento pode ser
efetuado durante várias semanas sendo que, o número de sessões será determinado
pelo médico. Outra forma de tratamento radioterápico é a braquiterapia, ou
radiação interna, onde é introduzido, por meio de instrumentos específicos,
material radioativo próximo à lesão tumoral. Uma vez terminado o tratamento o
material é extraído do corpo.
Os efeitos colaterais da radioterapia dependem
principalmente da dose de radiação que é administrada e da região do corpo. No
caso do cólon e reto pode causar náuseas, vômitos, diarréia, deposições com
sangue, moléstias urinárias e alterações na pele da região irradiada.
Terapia Biológica
É um tipo de tratamento no qual o paciente recebe
um anticorpo monoclonal. Os anticorpos monoclonais chegam às células
cancerígenas interferindo no seu crescimento e na disseminação da doença. Esse
procedimento é utilizado em casos avançados da doença.
A terapia biológica pode ser administrada junto à
quimioterapia. Por ser também um tratamento sistêmico, a terapia biológica pode
ocasionar alguns efeitos colaterais, como: alergia, erupções cutâneas, febre,
dor abdominal, vômitos, diarréia, sangramento, problemas respiratórios e
alterações na pressão arterial.
Qualquer efeito colateral deve ser comunicado
imediatamente ao médico para que seja iniciado um tratamento medicamentoso com
o objetivo de minimizar ou evitar o aparecimento de efeitos secundários.
Tratamento do Câncer de Cólon
A maioria dos pacientes com câncer de cólon é
tratada cirurgicamente. Em alguns pacientes é utilizada tanto a cirurgia como a
quimioterapia. Em casos de doença em estadios avançados se utiliza a terapia
biológica.
A radioterapia não é usada como tratamento para o
câncer de cólon, entretanto, pode ser utilizada para aliviar a dor e outros
sintomas.
A colostomia é necessária em algumas circunstâncias
para pacientes portadores de câncer de cólon, mas na maioria das vezes, é
temporária.
Tratamento do Câncer de Reto
O tratamento mais frequente para câncer de reto é a
cirurgia. Em alguns casos pode-se utilizar a quimioterapia e a radioterapia. A
terapia biológica é geralmente utilizada em casos de doença avançada.
A radioterapia pode ser prescrita tanto antes como
após a cirurgia. Antes para reduzir o tamanho do tumor e após para destruir as
eventuais células remanescentes no local.
A colostomia pode ser necessária em alguns casos: 1
em cada 8 pacientes portadores de câncer de reto precisará de colostomia
permanente.
Atualidades no Tratamento
O câncer colorretal é um tipo de câncer
relativamente frequente no mundo e no Brasil. O Ministério da Saúde estima
aproximadamente 28.000 novos casos no Brasil este ano, sendo que a doença pode
afetar tanto homens quanto mulheres. Por tratar-se de um tipo de câncer
amplamente curável, desde que diagnosticado precocemente, a mortalidade por
câncer colorretal pode ser bastante baixa. No Brasil foram registrados
aproximadamente 11500 casos de óbito pela doença em 2007.
Entre os fatores de risco que podem predispor ao
aparecimento do câncer colorretal, constam dieta rica em gordura e pobre em
vegetais, obesidade e sedentarismo, e uma história de câncer colorretal na
família (pais, tios, irmãos). Além disso, sabemos que o câncer colorretal
ocorre com maior frequência em pacientes mais velhos, pacientes com as chamadas
doenças inflamatórias intestinais e pacientes com número elevado de pólipos no
intestino.
A prevenção passa por uma dieta rica em fibras,
evitar a obesidade e atentar para possíveis sintomas que possam sugerir algum
problema no intestino, levando o paciente a procurar uma investigação. Além disso,
considerando a idade como grande fator de risco, diversos países preconizam o
rastreamento do câncer colorretal através da realização de colonoscopia de
rastreamento a partir dos 50 anos, ou ao menos através da pesquisa de sangue
oculto nas fezes (recomendado entre outros pelo Ministério da Saúde no Brasil).
A detecção de sangue nas fezes deve levar o paciente a procurar investigação
adequada com um clínico, gastroenterologista, proctologista ou cirurgião. Vale
ressaltar que a grande maioria dos pacientes que apresentam algum sangramento
retal (sangue vivo no papel após evacuação) se deve à presença de hemorróidas,
que nada tem a ver com o câncer. Entre os sintomas que podem ocorrer como
consequência do câncer colorretal estão o sangramento, anemia, mudanças na
frequência e formato das fezes, um excesso de gases e distensão ou desconforto
abdominal.
O diagnóstico do câncer é confirmado pela biópsia
feita na colonoscopia. Uma vez diagnosticado, o paciente passa por avaliação
com exames de sangue e tomografias para avaliar a extenção da doença. Na grande
maioria das vezes, o paciente é então operado, com a ressecção de todo o
segmento do intestino grosso no meio do qual estava o tumor. São também
ressecados um grande número de linfonodos (gânglios) para avaliar se o tumor
havia saído do intestino, e em casos de suspeita de alguma lesão à distância,
frequentemente é feita uma biópsia adicional da área suspeita. Dependendo da
profundidade do tumor na parede do intestino, da presença ou não de doença nos
gânglios ou fora do intestino, faz-se necessária a complementação do tratamento
cirúrgico com quimioterapia.
Quando se trata de tumores no reto, frequentemente
é necessária a incorporação da radioterapia ao tratamento.
Na última década, novos medicamentos mais eficazes
para matar células tumorais foram descobertos, o que tem melhorado muito a
chance de o paciente não mais ter recidiva da doença e ficar, portanto curado.
Mesmo quando a doença já é metastática (está fora do intestino, por exemplo,
com um nódulo no fígado), a doença ainda pode ser curada, graças a melhores
drogas disponíveis e a melhores técnicas cirúrgicas. Por definição, sempre que
a doença é ressecável (operável) ela é potencialmente curável. Para pacientes
incuráveis (nos quais a doença não mais é ressecável), dispomos de várias
drogas com boa atividade antitumoral, não só quimioterápicos, mas também
medicamentos chamados de “terapias-alvo” que alvejam determinadas proteínas das
células tumorais e drogas que impedem o crescimento de vasos que iriam nutrir o
tumor em crescimento.
Com o uso sequencial destas diversas opções de
tratamento, pacientes com doença metastática não ressecável praticamente
dobraram o tempo de sobrevida em relação ao que ocorria há 10 anos.
Como
ocorre com diversos outros tipos de câncer metastático para os quais se
consegue prolongar a sobrevida por alguns anos, estes anos podem significar uma
chance para o aparecimento de novas e mais eficientes estratégias de
tratamento.
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